EFEITOS FISIOLÓGICOS DA PRESSÃO

Autor: Edson Osni Ramos (Cebola)

 
 

Você sabe o que é um  esfigmo-manômetro?

 

Claro que sabe!  Você já viu um formando em medicina ou um recém-formado dando plantão em um hospital?  Além da “cara de sono” e dos “cinco livros debaixo do braço”, eles levam “até pra ir ao banheiro” o estetoscópio e “aquele aparelhinho ” de medir a pressão, que é o esfigmo-manômetro.

O bracelete do esfigmo-manômetro é enrolado no ante-braço do paciente, na altura do coração. A seguir, a pressão do bracelete é aumentada até que seja fechada uma das principais artérias do braço.  Após, a pressão na artéria vai sendo diminuída gradativamente e, com o estetoscópio, é possível ouvir o ruído causado pelo sangue em seu movimento através da artéria.    Quando a pressão exercida sobre a artéria é próxima da pressão máxima exercida pelo coração, a artéria se abre parcialmente, possibilitando o fluxo turbulento de sangue, que possui um som característico.  Quando a pressão sobre a artéria diminui, atinge-se um valor mínimo em que o fluxo sangüíneo é mais uniforme, emitindo outro som.  Essa é uma maneira de saber os valores das pressões sangüíneas máxima e mínima do paciente.

Em um indivíduo adulto sadio, os valores de pressão máxima e mínima estão, aproximadamente, entre 12 e 8 cmHg.  Lembre-se de que ao nível do mar a pressão atmosférica (pressão chamada normal) é de 1 atmosfera, que eqüivale a 76 cmHg.

Assim podemos afirmar que o coração é uma bomba muscular que em um homem adulto, sadio e em situação de não esforço, exerce sobre a massa sangüínea  uma pressão de aproximadamente 12 cmHg durante a contração (sístole), e de aproximadamente 8 cmHg durante a relaxação (diástole).

Com a contração do músculo cardíaco, o sangue sai do ventrículo esquerdo, passa pela aorta e pelas artérias e vai aos capilares.  Dos capilares venosos o sangue segue até as veias e chega ao átrio direito com uma pressão bastante pequena.  Em média, a diferença máxima entre as  pressões arterial e venosa é da ordem de 10 cmHg.

Como a densidade  sangüínea é próxima à da água (d =  1,04 g/cm3), a diferença de pressão hidrostática entre os pés e a cabeça de uma pessoa de um metro e setenta centímetros de altura eqüivale, aproximadamente,  à de uma coluna de água de 1,70 metros de altura.

 Lembre-se de que, na água – considerando a aceleração da gravidade 10 m/s2 – a cada variação de altura de 10 m implica uma variação de pressão de 1 atmosfera, ou seja, 76 cm de Hg.

Quando uma pessoa está deitada, sua pressão arterial é praticamente a mesma em todos os pontos, em torno  de 10 cmHg; quando está sentada ou em pé, a pressão arterial diminui com a altura, ou seja, a pressão sangüínea na cabeça é menor do que nos pés. 

Essa pressão pode ser calculada pela expressão:

 pressão (CABEÇA) = pressão (CORAÇÃO) - d . g . h

 Onde: g = aceleração da gravidade local;

 h = altura entre o centro da cabeça e o centro do coração do indivíduo;

d = densidade do sangue.

 

Assim, se um indivíduo está deitado (h = 0) e se levanta rapidamente, a pressão arterial da cabeça diminuirá em  d SANGUE . g . h, o que implicará na diminuição do fluxo sangüíneo no cérebro.  Como o fluxo deve ser contínuo (o ajuste do fluxo pela expansão das artérias não é instantâneo), o indivíduo poderá sentir-se tonto ou até mesmo desmaiar.

Em alguns animais esse efeito fisiológico da variação da pressão na cabeça com a variação da altura é bastante significativo.  Imagine uma girafa, cuja altura varia entre 4,0 e 5,5 metros!

Outro fato corriqueiro que nos faz sentir a variação de pressão ocasionando algum efeito fisiológico é quando subimos ou descemos uma serra ou quando mergulhamos na água.

Todos nós, ao subirmos ou descermos uma serra, como a da BR 282, sentimos aquela “coceirinha” no ouvido, lembram-se?

Ao subir uma montanha maior, um indivíduo pode sentir efeitos fisiológicos tais como dificuldade de respirar, taquicardia (com batimento cardíaco superior a 100 por minuto), mal-estar generalizado, náuseas e dor de cabeça.  Esses efeitos se acentuam, por exemplo, quando alguém, habituado a viver ao nível do mar, desloca-se para localidades com altitude superior a 3.000 metros.  Isso ocorre porque a pressão atmosférica diminui com a altura, tendo de haver uma adaptação do organismo para a nova pressão externa.  Até que se habitue, esses efeitos aparecem, como também vão existir quando da volta ao ambiente de pressão normal.  

 

 

A 5.000 metros de altura, a pressão ambiente é quase a metade da pressão ao nível do mar.  Nesse caso ocorre o fenômeno chamado hipoxia, ou seja, um baixo fornecimento de oxigênio.

Acima de 6.000 metros pode ocorrer a hipoxia crítica, cuja conseqüência é a perda rápida do controle neuro-muscular e da consciência, seguida de parada respiratória que pode levar o indivíduo à morte.

Esta crônica foi publicada em: RAMOS, Edson Osni. Crônicas de Física: A física do cotidiano. Florianópolis: Pascal, 2000. 1 v.

Deixe um Comentário