Blaise Pascal
BLAISE PASCAL (1623-1662)
Físico, matemático e filósofo francês, possuía notável raciocínio e capacidade dedutiva e humanística muito além do seu tempo.
Seus trabalhos teóricos, filosóficos e invenções são, ainda nos dias atuais,referencial em nossas instituições educacionais.
Frases célebres de sua autoria:
“O coração tem suas razões, que a razão não conhece!”
“A ciência das coisas exteriores não me consolará da ignorância da moral, em tempo de aflição; mas a ciência dos costumes me consolará sempre da ignorância da ciência das coisas exteriores”.
“Nossa natureza está no movimento; o inteiro repouso é a morte.”
“Não há nada tão conforme à razão como a retratação da razão”.
Para saber mais sobre Blaise Pascal, leia o texto a seguir.
PASCAL, GRANDE CIENTISTA E MAIOR AINDA SER HUMANO
- Autor: Edson Osni Ramos -
Fontes: Pascal, Blaise. Pensamentos. São Paulo: editora Abril, 1971.
Mondin, B. Curso de Filosofia. Os filósofos do Ocidente vol.2. 6ª ed. São Paulo : Paulus, 1981.
Schurmann, P. F. História de la Fisica. Buenos Aires : Nova Buenos Aires, 1946.
Filho de Étienne Pascal e Antoniette Bejon, Blaise Pascal nasceu a 19 de julho de 1623, em Clermont-Ferrand, na França. Aos três anos, sua mãe faleceu e, como era o único filho do sexo masculino, o pai encarregou-se diretamente da sua educação, aplicando, desde cedo, exercícios de diversos tipos para despertar o apego a razão e ao juízo correto.
Seu pai ensinou-lhe geografia, história e filosofia, principalmente por meio de jogos. A matemática, porém, segundo esse método de ensino, somente deveria ser apresentada quando o menino estivesse mais maduro. Talvez esse tenha sido um dos motivos que despertou Blaise Pascal para a ciência dos números. De conversas que ouvia ou de obras que passavam pela censura do pai, logo descobriu as maravilhas da matemática. Mesmo sem professor ou livro guia, passou a desenvolver seus estudos. Um dia, o pai flagrou-o desenhando no piso figuras geométricas com carvão. Estavam ali, por intuição, várias das proposições da matemática de Euclides. Foi dado ao inquieto menino, então, permissão pa-ra que avançasse livremente sobre aqueles ramos do conhecimento. Aos 17 anos, descobriu e publi-cou uma série de teoremas em geometria projetiva. Mais tarde, para ajudar o pai, sempre ocupado com números, dedicou-se a criar uma máquina de calcular.
Em sua homenagem, foi dado o nome de um importante e famoso programa de base para compu-tadores usado em todo mundo, o pascal.
Em sua juventude, Pascal desenvolveu importantes estudos na física e na matemática.
O excesso de trabalhou, entretanto, provocou problemas em sua saúde e ele caiu gravemente en-fermo. Em 1648 freqüentou, com sua irmã Jacqueline, grupos místicos e religiosos. Depois da morte do pai, seu fervor religioso diminuiu um pouco, iniciando-se o chamado período mundano de Pascal.
Depois de um período dedicado à “libertinagem” e jogos de azar, Pascal voltou a experimentar uma revolução em sua vida. Em 1654, escapou da morte em um acidente de carruagem numa das pontes de Paris. Logo depois, decidiu dedicar-se com fervor à militância religiosa, à contemplação e à oração.
Pascal converteu-se ao jansenismo, uma corrente religiosa nascida no catolicismo. Este movimento teve início com o bispo holandês Cornélio Jansênio (1585-1638), que protestava contra o racionalismo supostamente exagerado da teologia escolástica.
Em 1656, foi ameaçado de excomunhão por causa de suas posições jansenistas e por defender o jansenismo dos ataques dos jesuítas. Nesta época, Pascal escreveu as Cartas Provinciais, que fez circular anônimas, nas quais, com dialética habilíssima e com ironia ora sutil, ora dura, abordava os aspectos discutíveis da Companhia de Jesus.
Para Pascal, a física e a matemática, assim como a filosofia e as demais ciências humanas, deveriam desembocar na fé, pois o referencial dessas ciências não é físico nem metafísico, é religioso.
Pascal morreu em Paris, em 19 de junho de 1662, depois de atrozes sofrimentos, que soube suportar com grande resignação. Suas últimas palavras foram: “Que Deus jamais me abandone!”
Obra de Blaise Pascal
Blaise Pascal produziu obra científica e filosófica bastante profunda e, também, polêmica. Desenvolveu experimentos que propiciaram saltos significativos no mundo científico, especialmente no campo da matemática e da física.
Na física, contribuiu no campo da hidrostática, desenvolvendo importantes trabalhos sobre a pres-são atmosférica, o Teorema de Pascal.
Devido a sua educação liberal, interpretava os resultados obtidos de seus experimentos sem os preconceitos e racionalismos da época, que consideravam os resultados de uma experimentação sen-do absolutos, independente do lugar onde se realizava. Em seus trabalhos de hidrostática, teve a comprovação de que o equilíbrio da coluna de mercúrio se deve à pressão atmosférica. A experiência decisiva foi realizada no Puy-de-Dome, de acordo com as instruções de Pascal que a repetiu em Paris, na torre de Saint-Jacques. Desapareceram as últimas dúvidas: a altura da coluna de mercúrio varia com a altitude do lugar. Em 1653, Pascal enunciou e provou experimentalmente este princípio: o acréscimo da pressão em um ponto de um líquido em equilíbrio, transmite-se integralmente a todos os pontos deste líquido. Uma aplicação deste princípio é encontrada em máquinas hidráulicas que são capazes de “multiplicar forças”, tais como a prensa hidráulica e o freio hidráulico.
De 1639 a 1647, Pascal acompanha seu pai Etienne Pascal, que foi enviado por Richelieu para Rouen, capital da Normandia. Como seu pai era coletor de impostos, Pascal construiu uma má-quina de calcular para ajudá-lo na execução do seu trabalho. A Pascalina, depois de inúmeros esforços devido aos poucos recursos da época, chegou a ser patenteada mas sua fabricação em série foi descartada. A partir de 1647, dedicou-se mais aos estudos no campo da matemática. Passou, então, a produzir tra-balhos sobre probabilidades, realizando experiências com pro-blemas aritméticos. A partir de suas observações dos jogos de dados, desenvolveu os seus cálculos de probabilidades, chegan-do a fórmula da Geometria do Acaso. O Triângulo de Pascal foi um dos trabalhos resultantes dessas pesquisas com jogos de azar.
Outro trabalho científico de Pascal nesta fase, foi o Tratado sobre as Potências Numéricas, no qual trata dos elementos “infinitamente pequenos”. Pascal voltou a esse tema em 1658, em um trabalho sobre a área da ciclóide, chegando notavelmente perto da descoberta do cálculo integral, tão perto que Leibniz, mais tarde, escreveu que foi ao ler essa obra de Pascal que uma luz subita-mente jorrou sobre ele.
Entre outras obras suas citam-se Nouvelles Expériences sur le Vide (Novas Experiências sobre o Vácuo, 1647) e Discours sur le Passions de l’Amour (Discurso sobre as Paixões do Amor); De Alea Geometriae (O Jogo da Geometria); Memorial; Oração para pedir a Deus a graça de fazer bom uso das enfermidades e Pensées (Pensamentos).
Neste último encontra-se a célebre sentença: “o coração tem razões que a própria razão desconhece”.
Blaise Pascal foi exceção em sua época. Enquanto a maioria dos filósofos viviam quase exclusiva-mente da herança de Renèe Descartes, que defendia o racionalismo e a especulação lógica, fria, clara e precisa aplicados a toda e qualquer forma de ciência, seja ela exata ou humana, Pascal moveu uma guerra contra esses conceitos.
Dos Pensamentos, quatro são críticas claras a Descartes, os de número 76 a 79.
76- Neste pensamento, propõe-se escrever futuramente contra Descartes, por causa da importân-cia excessiva dada por este à ciência.
77- Neste pensamento, declara não poder perdoar a Descartes por ter dado pouco espaço a Deus em sua filosofia.
78 – Neste pensamento, diz que Descartes é inútil e incerto.
79 – Neste pensamento, sustenta que não vale a pena perder tempo com a filosofia de Descartes.
Ou seja, Pascal conclui que o erro de Descartes consiste em ter exagerado o fator intelectivo (negligenciando completamente o fator afetivo) e a importância da razão e da especulação (subestimando a contribuição do coração).
Blaise Pascal, um grande ser humano!
